Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Lima Duarte comemora volta de Sassá Mutema: ‘Vai do puro ao composto’

Flávio Migliaccio e Lima Duarte em cena de "O Salvador da Pátria" / Divulgação

Novelão de Lauro César Muniz, “O Salvador da Pátria” (1989) voltará ao ar a partir de 12 de abril, sendo pela primeira vez exibido no canal Viva. No centro do enredo está o boia fria Sassá Mutema, vivido por Lima Duarte, que à época chegou a ser alvo de uma alusão, ainda que equivocada, a Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula não era o analfabeto que muitos apontavam ser, mas era também de origem humilde e na ocasião era candidato à presidência da República pela primeira vez. No meio da novela, Sassá será eleito prefeito. Estava feito o paralelo entre ficção e realidade.

Estávamos bem no ano das primeiras eleições diretas para presidente, após 29 anos, desde o golpe de 1964.

“Eu gostava disso, desse personagem, dessa ligação com o essencial, com a terra de onde ele veio e que é ele”, lembra Lima Duarte. “Ele vai aprendendo o que é ser um cidadão do mundo, o que é ser o que todos nós queremos ser: um homem da cidade. Vai perdendo uma porção de coisas e vai ganhando outras. Ele é um personagem que vai do puro ao composto”, completa o ator, ao comentar a reprise da novela.

Sassá é um sujeito analfabeto a quem o poderoso deputado Severo Toledo Blanco (Francisco Cuoco) ludibria para se casar com sua amante, Marlene (Tássia Camargo), a fim de desviar a atenção para seu adultério. A história se passa na fictícia cidade de Ouro Verde, onde o radialista Juca Pirama, memorável papel de Luís Gustavo, se encarrega de jogar mais tinta nos escândalos locais e logo descobrirá a artimanha do deputado.

Juca e Marlene serão assassinados e Sassá chegará a ser acusado pelo crime, sendo depois inocentado e ganhando popularidade, a ponto de chamar a atenção dos políticos locais e de ser manipulado por eles.

Sassá (Lima), já repaginado para o poder, em cena com Mário Lago / Divulgação

Eleito prefeito da cidade vizinha de Tangará, Sassá se rebela e conquista posição política independente, sempre sendo apoiado pela professora Clotilde, personagem de Maitê Proença, por quem ele se apaixona e com quem vive um romance.

A música-tema do personagem acompanha a memória de toda a sua trajetória, na voz de Oswaldo Montenegro, por meio do hit “Lua e Flor”.

E a novela praticamente lançou Marisa Monte para a massa, projetando-a para a fama, com o sucesso “Bem que se Quis”, versão de Nelson Motta para “E po’ che fa”.

No ótimo livro “Teletema – A História da Música Popular Através da Teledramaturgia Brasileira”, Guilherme Bryan e Vincent Villari ouvem o relato de Nelson Motta sobre o sucesso de “Bem que se Quis”, tema do romance entre Severo e Bárbara (Lúcia Veríssimo): “Quando eu terminei a letra, mostrei à Marina, mas ela não quis gravar. Comecei a trabalhar com a Marisa Monte, ofereci a música a ela, que adorou e passou a cantor nos shows. Aí, a própria Marina, que não quis gravar, mostrou a música para a Lúcia Veríssimo. A Lúcia adorou, foi no Paulo Ubiratan, que era o diretor da novela, e peitou: ‘Quero que essa música seja meu tema’. E quem ia discutir com Lúcia Veríssimo?”, lembra Motta.

“O Salvador da Pátria” chegou a superar 60 pontos de audiência –hoje, as novelas que batem 40 pontos são alvo de celebração. Mesmo considerando que era um tempo sem TV paga e quando a internet era pura ficção científica, o título arrebatou o público e Sassá mobilizou a massa.

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Cristina Padiglione

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