Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo

Inferior ao ‘Tá no Ar’, novo humorístico da Globo decepciona

O elenco do Fora de Hora na bancada do telejornal. Crédito: Estevam Avellar/Divulgação

Quem mandou acostumarem a gente com criações tão boas? Embalado em formato de telejornal, o novo humorístico da Globo, “Fora de Hora”, projeto da mesma turma do “Tá no Ar”, ou quase (alguns saíram, outros chegaram, mas Marcius Melhem e Marcelo Adnet continuam ali), estreou nesta terça-feira (21), com nítida desvantagem sobre seu antecessor.

Era para ser melhor? Era. Se não fosse essa a expectativa, por que trocar de roupa? O novo figurino muitas vezes não supera o anterior. Serve apenas para dizer que você tomou um banho e mudou o tecido, mas, no campo do entretenimento, essa defasagem pode ser fatal para afastar olhares atentos.

Adnet visto como Jair Bolsonaro e Melhem na esquete da escola de samba Unidos da Milícia foram os melhores pontos do programa. Houve ainda a escala Hitler de temperatura para zombar do discurso nazista do ex-secretário de Cultura, Roberto Alvin.

Mas as três cenas bem poderiam estar no formato do “Tá no Ar”, onde quadros como o PoliGod, Foca em Mim com Welder Rodrigues (muito melhor que a versão do apresentador sensacionalista conhecido no novo programa), o colunismo social de Rick Matarazzo e seu amigo Tony Kerlakian e mesmo o índio biba de Adnet provocavam risos muito mais largos.

A culpa não é dos atores, mas, considerando que quase todos têm participação no texto, é também dos atores.

Falta script, falta piada, falta graça.

Algumas edições do Zorra parecem mais engraçadas que a estreia da vez.

A maioria das edições do “Isso a Globo Não Mostra” também supera o “Fora de Hora”, ao menos o da estreia. Como a primeira edição normalmente é feita com mais cuidado para ganhar a plateia, resta alguma apreensão em relação ao restante da temporada, que vai até abril.

O “Tá no Ar”, verdade seja dita, chegou em um momento de catarse, rompendo uma longa temporada de pasmaceira e mofo na comédia da emissora. Era natural que a surpresa da gente fosse maior naquela ocasião. Mas mesmo após seis anos de programa, o resultado parecia superior ao de hoje, de longe.

As emendas da dupla formada por Paulo Vieira e Renata Gaspar, a despeito do talento de ambos, são quase infantis, brincadeira de vídeo de faculdade de jornalismo. Conhecendo o potencial do grupo, sabemos que a equipe pode mais.

Fico à espera, e tomara que eu não espere Godot.

 

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Cristina Padiglione

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