Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
Jornalismo&Doc

Documentário sobre trabalho escravo na Amazônia marca 10 anos de núcleo da Record, que soma 25 prêmios

Imagem do milésimo documentário, sobre a Amazônia: no ar domingo

Criado para abastecer os programas jornalísticos da casa, o Núcleo de Reportagens Especiais da Record TV chega ao seu 10º aniversário com um estoque de mil reportagens e 25 prêmios acumulados. Nessa lista, tem o Prêmio Rei de Espanha (2016), dois Prêmios Esso, o mais importante do Jornalismo brasileiro, prêmio Vladimir Herzog, Petrobrás, Ministéria Público Federal do Trabalho, três Prêmios América Latina de Direitos Humanos, além dos prêmios Embratel, Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, Líbero Badaró, prêmio da Confederação Nacional de Transportes e Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), entre outros.

Entre as reportagens especiais, há edições de curta e média metragem. O milésimo representante do gênero vai ao ar justamente neste domingo, durante o “Câmera Record”, e denuncia o trabalho escravo em uma região pouco conhecida, em plena floresta amazônica. Pela primeira vez, uma equipe de televisão consegue chegar ao local em que uma população indígena descendente da etnia Baré chega a viver até seis meses dentro da selva na produção extrativista da piaçaba, fibra da Palmeira, usada na fabricação de vassouras. Os trabalhadores passam o dia inteiro dentro da floresta, carregam toras de até 90 kg por dia e acabam adquirindo dívidas com gerentes da produção, porque o custo de locomoção e alimentação é muito alto. É o que o Ministério Público do Trabalho considera como trabalho análogo à escravidão.

Formado em abril de 2007, o núcleo começou com 11 profissionais e hoje soma 33.

Em 2007, o Núcleo passou a abastecer o “Repórter Record”, então comandado pelo jornalista Celso Freitas. Em 2008, começou a produzir para o “Câmera Record”, comandado por Marcos Hummel. Em 2009, o time de jornalistas foi ampliado e o setor assumiu também “A Grande Reportagem”, exibida pelo “Domingo Espetacular”. Criado em 2014, o “Repórter Record Investigação”, com Domingos Meirelles, foi criado e integrado ao projeto.

Em tempo: produzida em 2015, a reportagem especial “As Eternas Escravas” foi exibida pelo “Repórter Record Investigação” e acumula o maior número de prêmios, a começar pelo Rei de Espanha, um dos mais importantes do Jornalismo mundial. A produção competiu com trabalhos de 34 países e foi escolhida pelo júri por unanimidade.  Por dois meses, a equipe levantou documentos exclusivos e investigou a exploração sexual e doméstica de crianças negras e pobres de um quilombo Kalunga, a 320 km de Brasília. Meninas eram amarradas e transformadas em servas domésticas e sexuais. A matéria foi ainda contemplada com os prêmios ExxonMobil (Esso), Petrobras, Anamatra e América Latina de Direitos Humanos. E provocou a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito no estado de Goiás para apurar os abusos, fato destacado pelo júri, assim como a elegância da linguagem visual e a capacidade de resumir múltiplos problemas sociais em uma única reportagem.

Imagem da mais premiada reportagem especial da emissora, o documentário ‘As Eternas Escravas’

Uma dica: a Record acerta ao investir naquele que será o grande chamariz da televisão linear, ou seja, a que se assiste em tempo real. Nesse universo que oferece cada vez mais opções de plataformas para se ver TV quando, onde e na tela em que quiser, o Jornalismo e as transmissões esportivas só confirmam sua força para a TV linear, distribuidora matriz do conteúdo, seja ela aberta ou fechada. Globo e Band também têm boa percepção sobre esse cenário. Só o SBT não se tocou ainda que seu fôlego depende de uma figura só.

 

 

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Cristina Padiglione

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