Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
Meu show

Vendida para 96 países, ‘Show da Luna’ rompe estereótipos e motiva empoderamento feminino

Luna protagoniza o interesse das meninas por Ciências, foco quase sempre destinado aos meninos nas animações

Vendida já para 96 países, a animação “Show da Luna” é mais um item no grosso catálogo que a produtora brasileira TV Pinguim leva à MIPCom, feira de TV mundial, que começa dentro de 10 dias, em Cannes. Nesse mapa, há países da África anglófona e lusófona, no território chamado EMEA (Oriente Médio e norte da África) e vários países da Ásia. A bagagem para o Sul da França inclui até uma terceira temporada da série, ainda inédita aqui, que acaba de sair do forno.

Voltada ao público de 4 a 7 anos, com foco nas meninas, a animação brasileira exibida aqui pelo canal Discovery Kids apresenta, afinal, uma menina cientista de 6 anos no centro de sua narrativa. Não é uma princesa, não é uma fadinha nem tem receio de buscar respostas para tantas curiosidades. Normalmente, enredos de ficção envolvendo cientistas são protagonizados pelo sexo masculino. No “Show da Luna”, isso se inverte de modo orgânico, como tem de ser, sem panfletagem ou militância. Simplesmente Luna convida os amigos a buscar respostas para ações práticas no dia a dia, a partir de perguntas como: “Como a água vira chuva?”, “Será que tem alguém vivendo em Marte?”, “Por que as bolhas são redondas?”.

Nesse contexto, Luna é um bem inestimável à cabecinha não só das meninas, que veem na personagem uma possibilidade de espelho, mas também nos garotos, que aprendem a respeitar nelas a competência para tanto.

STEM (Science Technology Engineering Maths) no Brasil ainda é disciplina fraca, e mais ainda para meninas. Desde cedo, elas têm sua criatividade e inventividade podadas por crerem que ser gênio é obra para garotos. Isso enfim está mudando, mas ainda falta equilibrar o jogo. Ainda há um conjunto de esterótipos que começa a moldar os interesses das crianças desde muito cedo. Não é de se duvidar que isso possa inclusive reduzir as opções de carreiras a serem escolhidas por elas no futuro. É comum encontrar a percepção de que meninos são melhores em matemática, desde o 1º ano do Ensino Fundamental.

O espaço das Ciências é aberto majoritariamente a homens, que recebem mais incentivo e também mais reconhecimento. Uma pesquisa realizada pela Microsoft em 2016 revelou que as meninas começam a se interessar por matérias exatas (STEM) só aos 11 anos, e costumam perder o interesse aos 15. A ideia de que elas são mais delicadas, sensíveis e frágeis conspira contra a força de desbravar, com coragem, fronteiras desconhecidas que possam resultar em descobertas brilhantes.

Qual incentivo recebe uma menina que tem potencial para ser uma “gênia”, por exemplo, em engenharia química, jogadora de futebol ou guitarrista? Em geral, muito pouco ou até uma torcida contrária. É grande a chance de haver aí um potencial criativo jogado fora.

Estudo realizado pela Gender in the Global Research Landscape, de março deste 2017, aponta que hoje, as mulheres publicam quase metade dos artigos científicos do Brasil (49%). Entre 2011 e 2015, esse número foi de 153.967 artigos, 126.406 a mais do que em Portugal, segundo colocado nesse quesito. Outro ponto positivo aqui é o número de inventoras, que cresceu de 11% para 17% entre 1996 e 2015, forçando a participação cada vez maior de mulheres nas áreas da ciência.

Ou seja, podemos ter esperança.

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Cristina Padiglione

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