Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
Minha novela

Reginaldo Faria volta ao jatinho para fugir do Brasil na ficção, mas dessa vez é detido: o país mudou mesmo?

E não é que o Reginaldo Faria de novo tenta fugir num jatinho? Mas, dessa vez, diferentemente de 'Vale Tudo', é impedido pela polícia, aqui representada por Vanessa Giácomo, que prende Ataíde e Lígia (Angela Vieira)

No último capítulo de “Pega Pega”, Reginaldo Faria volta a entrar num jatinho para fugir do Brasil em uma cena de novela. Mas, dessa vez, sinal dos tempos (ou do que a gente torce para que sejam sinal dos tempos), seu personagem é impedido de deixar o país por intervenção da polícia.

A cena antológica de 89

A outra vez em que o ator entrava em um jatinho para fugir do Brasil foi em 1989, em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, quando o mau caráter Marco Antonio tinha êxito em seus planos e ainda dava uma banana (gesto com os braços) para a imagem do Rio de Janeiro a seus pés. A cena é um marco da teledramaturgia brasileira e representava a cultura da impunidade presente no Brasil.

Herson Capri em ‘Insensato Coração’: banana interrompida pelas algemas

Vinte e dois anos depois, confiante de que o país estava mudando, Gilberto Braga repetiu a cena de fuga no jatinho particular, dessa vez com Herson Capri no papel de vilão, e ele quase dava a banana que Marco Aurélio ostentara em 89, mas nesse momento era algemado. Na ocasião, o autor quis endossar que o Brasil já não aceitava mais impunidade.

No último capítulo de “A Lei do Amor”, ainda no ano passado, Maria Adelaide Amaral homenageou Braga com uma cena em que a megera de Vera Holtz também tentava fugir em um jatinho, sem êxito. Na fachada do avião, lia-se “Banana Airlines”.

Vera Holtz no final de ‘A Lei do Amor’: jatinho da Banana Airlines

A questão agora é saber se o Brasil mudou tanto assim. É certo que muitos dos empresários e políticos que gostariam de ter traçado o mesmo destino de Marco Aurélio já não o alcançam. Mas muitos deles estão no aconchego de seus ricos lares, só desfilando de tornozeleira eletrônica, desfrutando do bom e do melhor. Outros, nem isso. Estão tranquilamente circulando por aí.

 

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