Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
Minha novela

Globo começa a anunciar ‘Celebridade’, graças a reforma na Classificação Indicativa

Márcio Garcia, Cláudia Abreu e Fábio Assunção, todos lindos e malvados.

As primeiras chamadas para a estreia de “Celebridade”, novela de 2003, de Gilberto Braga, para segunda, dia 4, no “Vale a Pena Ver de Novo”, anunciam que muita coisa mudou da selfie para as redes sociais, mas “a busca pela fama ainda é um clássico”.

O que mudou bastante também foi a Classificação Indicativa. Da exibição original para cá, a Classificação Indicativa na TV se impôs com uma série de debates e controvérsias, a partir de 2007. De todas as medidas tomadas, a que gerou maior discordância das emissoras abertas sempre foi o vínculo entre horário de exibição e faixa etária a quem o programa é indicado. Isso se prolongou até agosto do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou tal associação, permitindo que os canais abertos passassem a apenas exibir o selo indicativo, sem vincular mais o conteúdo ao horário, o que já acontecia entre os canais pagos.

Nos moldes anteriores, a Classificação restringiu muito a escolha das novelas que são reprisadas no “Vale a Pena ver de Novo, eliminando do páreo principalmente as novelas das nove, normalmente de conteúdo mais limitado a menores. “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva, vai deixando a faixa com êxito de audiência, pela segunda vez (a novela já havia sido reprisada em 2009), mas com boa dose de cortes.

Criador de personagens e enredos que botam o dedo na ferida de questões sociais, com ironia nem sempre compreendida (para a frustração de quem, como eu, aprecia seu estilo), Gilberto Braga tem sido o autor mais visto no canal Viva, mas o menos revisitado no “Vale a Pena Ver de Novo”. Sua última obra reprisada no horário foi “Foça de Um Desejo”, um trabalho de 1999/2000, escrito com Alcides Nogueira e exibida originalmente como novela das seis. De seus famosos folhetins das nove, a última a ser vista no “Vale a Pena”, ainda em 1992, foi “Vale Tudo”, parceria com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères em 1988, que se mostrou grande sucesso ainda hoje, ao ser reapresentada no Canal Viva.

Daí a grande expectativa que cerca a chegada de “Celebridade”, cuja trama central certamente inviabilizaria sua exibição entre 2007 e 2016, período em que só programa para maiores de 10 anos ou Livre podia ir ao ar nesse horário. É verdade que Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) matou muito mais, ao longo de “Senhora do Destino”, do que Laura Prudente da Costa, a vilã de Cláudia Abreu em “Celebridade”. Mas Nazaré é uma malvada meio trapalhona e se dá mal com alguma frequência, em meio a tantas tentativas de se achar esperta, do início ao fim da trama. Laura, na contramão, é bem sucedida em um plano de vingança durante quase toda a novela, inclusive desfrutando da parceria com seu “Michê”, como ela chamava o namorado e comparsa, vivido por Márcio Garcia, que a tratava como “Laura Cachorra”.

A ideia de uma vilã que vai ganhando fama, riqueza e beleza ao longo de seu plano, de certo, se vista ao pé da letra, pode ser tratada como elemento mais nocivo para a má influência da plateia. Mas, em se tratando de Gilberto, e aí está a graça, sempre é bom acompanhar as entrelinhas e o juízo final.

Além de cutucar o mundo da fama, do qual a própria Globo é a maior fomentadora, “Celebridade” mexe com os critérios jornalísticos que abastecem o universo das celebridades, em um tempo anterior à febre de sites que se dedicam ao assunto na internet. Nem por isso o enredo pereceu. Renato Mendes, o pérfido jornalista vivido por Fábio Assunção, personifica os caçadores de cliques que hoje buscam audiência a qualquer custo na web. Mas o negócio dele era capa de revista impressa, no caso, da fictícia revista “Fama”, um cloninho de revista “Caras”, ícone do gênero na época.

Outro ponto alto da produção é a trilha sonora, com “Sympathy for the Devil” na voz original de Mick Jagger, Barry White na abertura e outras pérolas. A mocinha da história, Maria Clara Diniz, interpretada por Malu Mader, era uma produtora musical de grande sucesso, alguém perseguido por paparazzi até de modo inverossímil. Isso era um bom pretexto do diretor Dennis Carvalho para trazer participações especiais de músicos grifados em cena. A heroína, no original, deveria ser uma jornalista famosa, mas a direção da Globo, à época, muito mais rigorosa no que diz respeito ao tratamento de celebridade dado aos seus jornalistas, pediu que o autor trocasse sua profissão.

Abaixo, as primeiras chamadas para esta que será a primeira reprise de “Celebridade”.

 

 

 

 

 

 

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Cristina Padiglione

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