Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
Meu show

Edição de estreia do novo ‘Adnight’ começa morna, mas logo ganha fôlego

Comecei a ver a edição de estreia da 2ª temporada do “Adnight”, com Joelma, Renato Goes e Fernanda Gentil, e não me comovi nem ri. Dez minutos de programa para quase desistir.

Ainda bem que retomei a edição agora há pouco. Vale bem a pena ir além desse trecho inicial. Agora sem sofá, o programa mantém os joguinhos que revelam um pouco mais sobre o convidado e valorizam o repertório de graça do apresentador.

A política, que aparentemente passou batido na 1ª temporada, mereceu boas menções dessa vez, o que dá muito sentido à existência do programa. Já que a TV aberta tem resumido ao “Zorra” (no ar o ano todo) e ao “Tá no Ar” (apenas dez episódios por ano) a abordagem de um noticiário que por si só inspira tantas piadas todos os dias, por que não ocupar esse espaço com relevância?

O ápice desta edição está no quadro em que os convidados precisam responder qual porcentagem pagamos de impostos eem produtos diversos. E quem comanda o game é uma dupla que há muito tempo não é vista junta, embora o destino de um estivesse diretamente ligado ao do outro nos últimos anos: os “presidentes” Michel Temer, dono atual da faixa presidencial (representado por Adnet, com direito a mãozinha trêmula e garganta seca, em busca de pastilha) e Dilma Rousseff (magistralmente interpretada por Mila Ribeiro).

Joelma se mostra a mais bem informada dos três.

Outro ponto alto é Fernanda Gentil narrando, em ritmo de futebol, as imagens em que o deputado Rodrigo Rocha Loures é flagrado pelas câmeras da Polícia Federal recebendo a tal mala de dinheiro que supostamente seria destinada a Temer.

Há ainda, em referência a Renato Góes, a esquete “Os Dias Continuam Assim”, sobre modos brasileiros que infelizmente não mudam, dos idos da ditadura para cá, numa referência ao último trabalho do ator.

O que parecia, a princípio, uma piora em relação à última temporada, é, na verdade, uma melhora, mas, ao menos na primeira edição, essa sensação não é imediata. Adnet agora faz algumas esquetes externas, fora do palco, e soma à sua equipe o humorista Felipe Xavier, ex-Sobrinhos do Ataíde.

No encerramento, para não variar, ainda bem, tem canção bem-humorada, by Adnet, cantada por todos os convidados (sim, a temporada atual prevê esse formato em que os entrevistados se misturam em uma mesma edição, bem ao modo “Conversa com Bial”, que tão bons resultados vem dando). Ao ritmo de Joelma, a letra do dia remete à repercussão gerada nas redes sociais pelas postagens alheias e promete gerar identificação na plateia de espectadores – “Falar de mim é fácil / Eu quero é ver pagar os boletos das parcelas (…) / A minha vida não é pauta para bafão / Eu não tô nem aí pra sua opinião (…) / Não sou novela pra você me acompanhar / (…) e se não gostar do que eu posto, não vem postar textão (…).”

 

‘Adnight’: nesta quinta, lá pelas 23h30, ou após o “The Voice Brasil”, na Globo

 

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Cristina Padiglione

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