Por Cristina Padiglione | Saiba mais
Cristina Padiglione, ou Padi, é paga para ver TV desde 1990, da Folha da Tarde ao Estadão, passando por Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo
O que tem de bom?

Desprezado por salas de cinema, filmes nacionais encontram espaço lá fora e na TV

Cena de 'Benzinho', coprodução do Brasil com Uruguai, que concorre em Sundance. Foto de Bianca Aun/Divulgação

Apesar do profundo desprezo que as salas de exibição dedicam ao cinema nacional (resultado do profundo desprezo que os próprios espectadores nutrem pelo produto interno, claro), os filmes brasileiros seguem em ascensão na cotação internacional, pelo menos no que diz respeito aos grandes festivais.

Se não fossem as janelas oferecidas pela televisão, o público mal conheceria os títulos aqui feitos para a telona. Uma das grandes produções deste ano, “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, esteve em cartaz por um mês e logo desembarcou nos menus de vídeo sob demanda. O mesmo acontece agora com “Duas Irenes”, já disponível no VOD (Video On Demand) do Canal Brasil, a partir deste mês.

Enquanto isso, “Benzinho”, filme de Gustavo Pizzi (“Riscado”), previsto para estrear aqui só no primeiro semestre de 2018, encontra lugar na charmosa competição do Festival de Sundance (Sundance Film Festival’18), maior festival de cinema independente dos Estados Unidos, que vai de 18 a 28 de janeiro de 2018, em Utah.

Estrelado por Karine Teles (“Que Horas Ela Volta?”), Adriana Esteves e Otávio Müller, o filme concorre na categoria melhor longa-metragem de ficção.

Coprodução entre Brasil e Uruguai, o título tem produção da Bubbles Project com a TVZero, Mutante Cine, Baleia Filmes, Telecine e Canal Brasil. Na história, Irene (Karine Teles) mora com o marido Klaus (Otávio Müller) e seus quatro filhos nos arredores do Rio. Entre os empreendimentos sem sucesso do parceiro e os problemas da irmã (Adriana Esteves), Irene se desdobra para ajudar a todos. Mas o maior de seus problemas surgirá quando seu primogênito, Fernando (Konstantinos Sarris, ator grego em sua estreia nos cinemas), for convidado para jogar handebol na Alemanha, forçando uma despedida antes do previsto.

O projeto foi selecionado pela La Fabrique des Cinemas du Monde durante o Festival de Cannes de 2013, para o Cinemart, em Roterdã, em 2015, e para o programa Boost NL, em 2017. O filme venceu o Ibermedia, assim como outros programas de incentivo a filmes brasileiros e coproduções internacionais.

+ Sundance mande in Brazil

Outra produção que disputa o Sundance Film Festival 2018 é o documentário “The Cleaners”, coprodução entre Brasil (Grifa Filmes) e Alemanha, na categoria World Cinema Documentary Competition. O filme se debruça sobre as informações no mundo digital.

Tanto a TVZero como a Grifa são produtoras associadas da Brazilian Content (BRAVI, sigla que veio substituir ABPI-TV – Associação Brasileira das Produtoras Independentes, no exterior antes tratada como BTVP – Brazilian TV Producers). O núcleo conta com a parceria da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para levar os títulos nacionais aos grandes festivais e feiras de audiovisual do mundo.

O Sundance Film Festival inclui 110 filmes independentes de 29 países.

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Cristina Padiglione

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